Artigo escrito por Dr. Tiago Gregório – Coordenador do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da SPMI
Neste Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), quero passar duas
mensagens importantes: o AVC continua a ser uma emergência de saúde
pública, mas é uma batalha que podemos vencer.
A dimensão e o impacto do AVC não podem ser ignorados. A nível mundial, o
AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade. O risco global que
enfrentamos é verdadeiramente alarmante: um em cada quatro adultos sofrerá
um AVC ao longo da sua vida. No nosso país, o AVC continua a ser uma das
principais causas de morte em Portugal, deixando um rasto de sofrimento nas
famílias e impondo um peso insustentável no Sistema Nacional de Saúde.
Apesar da gravidade destes números, não estamos perante uma fatalidade. Os
dados mais recentes fundamentam a nossa esperança. Em Portugal, as taxas
de incidência de AVC ajustadas à idade têm vindo a diminuir substancialmente.
Este declínio é a prova de que as políticas de prevenção funcionam.
Simultaneamente, a mortalidade por AVC registou uma queda assinalável no
nosso país, refletindo o sucesso dos nossos profissionais de saúde e a
melhoria contínua no tratamento da fase aguda da doença.
Para consolidarmos esta trajetória e salvarmos mais cérebros, e mais vidas, o
compromisso das autoridades de saúde e da sociedade civil tem de ser
reforçado. O caminho a seguir exige ação em três eixos vitais:
Investimento na Prevenção: Apenas com o reforço dos cuidados de saúde
primários podemos otimizar o diagnóstico e o controlo dos fatores de risco
vasculares, como a hipertensão e a diabetes.
Consciencialização da População: A literacia em saúde salva vidas. Todos os
portugueses devem saber reconhecer os sinais de alarme do AVC (os 3 Fs –
desvio da Face, falta de Força ou alteração da Fala). Perante qualquer um
destes sinais, a indicação é clara e única: ligar imediatamente para o 112.
Excelência nos Cuidados e na Reintegração: É essencial continuar a melhoria
no acesso aos cuidados de AVC em todo o território nacional. É fundamental
garantir a equidade no acesso às terapêuticas de reperfusão, ao internamento
em Unidades de AVC e à reabilitação atempada, devolvendo a autonomia aos
sobreviventes e permitindo o seu regresso à vida ativa.
O AVC é tratável e evitável. Investir no seu combate não é apenas um dever
clínico, mas um imperativo ético. Juntos, podemos mudar a história do AVC em
Portugal.



